Entrevista com Mavi: Corpo, Caminho e Conexão
Mavi, ou Maria Vitória, é daquelas artistas que carregam no corpo mais do que técnica — ela dança com alma, com verdade e com intenção.
Natural de Maringá, no Paraná, ela une a leveza do interior com a intensidade da cidade grande.
Professora, estudante de dança, trabalhadora do RH e criadora de conexões pelo Brasil, Mavi transforma sua rotina em movimento constante.
"Meu cotidiano é completamente atravessado pela dança: ela está presente desde a hora em que acordo até o momento em que vou dormir."
À tarde, ela se dedica a estudar, dar aulas, ensaiar e se reconectar com seu propósito, tornando a dança não apenas profissão, mas essência.
Da espontaneidade ao propósito
Dançando desde 2014, Mavi não teve um momento exato de “estalo” para seguir carreira na dança. A decisão veio de forma natural, mesmo quando enfrentou dúvidas e questionamentos.
Em 2024, no entanto, atravessou um período turbulento, marcado por confusões internas e a possibilidade de trocar de profissão. "Entrei em um momento de muita dúvida, especialmente entre seguir na dança ou migrar para a psicologia."
A volta veio em abril de 2025, mais fortalecida do que nunca, depois de um processo de autoconhecimento que trouxe clareza e reafirmação de sua escolha.
O jazz funk como território de liberdade
O estilo que mais representa Mavi é o jazz funk. “Costumo brincar que fui ‘dançada’ por movimentos jazzfunkzísticos, e foi assim que tudo começou.”
É nesse estilo que seu corpo encontra liberdade, potência e conexão. Para ela, dançar é também se comunicar com o mundo de forma plena.
“Quando danço, minha maior vontade é expressar quem sou.”
No início, Mavi enfrentou certa resistência quanto à escolha da dança como profissão. Mas com esforço e resultados, mostrou que o caminho era legítimo.
“Hoje, tenho o apoio da minha família e sou muito grata por isso.”
Em especial, destaca a mãe como figura essencial: “Ela me ensinou a olhar para o mundo com carinho.”
Dançar Maringá
A cidade onde vive influenciou diretamente seu jeito de dançar.
“Viver em Maringá me transformou. É uma cidade arborizada, espaçosa, cheia de diversidade, tudo isso se reflete na forma como danço.”
Ela acredita que o movimento deve carregar mais do que técnica: deve carregar verdade. E em meio a tantas influências, aprendeu a dançar com respeito, curiosidade e intenção.
Raízes
Para Mavi, existe, sim, uma identidade brasileira na dança. “Nossa movimentação, o gingado, o uso do quadril, a intensidade da expressão… tudo isso é muito nosso!” Mas ainda há pouco reconhecimento.
“Estudamos muito o que vem de fora… Precisamos também nos voltar para a riqueza da dança brasileira.”
Ela já quis sair do interior para os grandes centros como São Paulo e Rio, mas hoje, vivendo em Maringá, se sente realizada.
A internet permitiu que vivesse da dança sem precisar mudar de cidade, o que abre novas possibilidades para quem está fora dos grandes polos.
Dançar no Brasil
Apesar das conquistas, Mavi destaca que o cenário da dança no Brasil ainda carece de estrutura.
“Faltam orientações sobre como começar, como viver da arte, como se manter financeiramente.”
Por isso, ela defende que artistas estudem também o mercado: como vender, como se comunicar, como criar estratégias.
“Existem muitos caminhos, e saber se posicionar é fundamental.”
As redes sociais…
…tiveram um papel essencial na sua trajetória. Foi por meio delas que Mavi começou a dar aulas, inclusive para pessoas de outros estados e até países. Ao mesmo tempo, ela reconhece que há riscos.
“A popularização de certos formatos, como as ‘dancinhas de TikTok’, trouxe estigmas.” Segundo ela, ainda há muito desconhecimento sobre a profundidade da dança.
Apesar disso, ela se inspira nos profissionais que compartilham conteúdo de qualidade e vê nas redes uma ferramenta potente.
O desejo de Mavi é que o ambiente da dança seja mais leve.
“A vida já é cheia de desafios, não precisamos tornar a dança mais um fardo.”
Com sonhos que ainda pulsam — como levar sua pesquisa para outros países e criar espetáculos com mulheres de diferentes gerações — Mavi deseja construir pontes. Seu maior desejo é que a dança sirva como abrigo, cura e expressão.
“Quem sonha em viver da dança merece realizar esse sonho. Mas é importante fortalecer também o lado emocional: seja resiliente, paciente, cuide da sua mente e desenvolva autocompaixão. A dança é linda, mas como qualquer profissão, também exige preparo psicológico.”
Com escuta, coragem e sensibilidade, Mavi dança para transformar - a si mesma e ao mundo.
Brasil que dança
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