Jean Mendes: Entre a Dança e o Empreendedorismo

Jean é um artista do Rio Grande do Sul.

Nascido em Santa Maria.

Com uma trajetória marcada pelo movimento constante, Jean é coreógrafo, diretor artístico, palestrante, professor, bailarino, produtor cultural e jurado em festivais de dança.

Ao lado de sua esposa, também bailarina, ele construiu um verdadeiro ecossistema artístico, que inclui uma escola de dança (Vintage Dance Studio), produção cultural com espetáculos e intervenções artísticas, uma plataforma de aulas de dança online (Vintage Dance Class) e uma marca de roupas de dança (L’art Dance Wear).

Fora dos palcos e das finanças, Jean é pai de Caetano, de 4 anos, e considera o papel de pai a melhor parte da sua vida.

"Amo ser pai e, quando não estou dançando, minha vida é totalmente dedicada ao meu filho."

Sua formação é em Gestão Financeira, e em 2023 ele decidiu focar em obter certificações no mercado financeiro, com o objetivo de ampliar sua atuação na educação financeira para artistas — uma área que ele explora desde 2015 por meio do perfil @arte.cash, onde compartilha dicas e conteúdos para ajudar outros profissionais da arte a lidarem com suas finanças.

A Dança como Identidade e Profissão

Jean define a dança como seu trabalho e sua forma de encontrar um lugar no mundo.

"Estou sempre em movimento, assim como tudo na vida, e nada melhor para traduzir isso do que a dança."

Para ele, o estilo que mais o representa é o vídeo dance, uma modalidade que permite explorar personagens e possibilidades.

"A vida é feita de renúncias, de versões que poderíamos ter vivido, mas, por meio do vídeo dance, posso explorar todas essas possibilidades."

Sua trajetória na dança começou de forma prática, motivada pela remuneração. "Quando eu tinha 18 anos, comecei a cursar Relações Públicas e fui pesquisar o salário de um recém-formado. Na época, eram R$ 1.200 para trabalhar 8 horas diárias. Então pensei: ‘Se eu tiver 30 alunos pagando R$ 50 por mês, consigo uma renda de R$ 1.500 trabalhando 2 horas semanais’.

Para mim, recursos financeiros sempre foram importantes, pois, quando eu era pequeno, muitas vezes faltaram. Então sempre quis ficar rico (e escolhi a dança, haha), mas rico de tempo e dinheiro. Não adianta ganhar bem e não ver meu filho crescer. A dança me proporciona ambas as coisas."

Jean também reflete sobre o valor da dança em comparação a outras profissões.

"Talvez minha opinião seja polêmica, mas aqui vai: valorização é relativa. Já recebi R$ 900 por um workshop de uma hora, enquanto minha mãe, professora de português, recebia R$ 13 por hora no estado.

Então, financeiramente, a dança está valorizada, mas há pouca demanda. Acredito que o problema esteja mais na percepção de status social do que na remuneração em si."

No entanto, sua busca pela alta performance na dança trouxe uma realidade difícil.

"Meu sonho era alcançar a alta performance, ministrar workshops por todo o Brasil, ser reconhecido… Mas percebi que os melhores professores e bailarinos do país não conseguiam se sustentar com a profissão. Isso me desestimulou profundamente."

Jean também enfrentou resistência em casa, especialmente de seu pai. “Antes de começar a dançar, eu era faixa preta de taekwondo e competia nacionalmente. Largar tudo para dançar não era bem visto no interior, ainda mais considerando que meu pai já era idoso. Mas, com o tempo, ele viu os resultados e passou a me incentivar."

Cultura, Território e Identidade Gaúcha

Jean observa que, até pouco tempo atrás, acreditava que a dança urbana na região sul era mais linear, influenciada pelo clima frio e pela herança europeia. Mas hoje, com a globalização da dança e o impacto da internet, essa realidade já é bem diferente.

"A dança gaúcha já se mistura com influências globais, criando uma diversidade de estilos e expressões."

Como coreógrafo do Colégio Militar de Santa Maria, Jean já explorou elementos da cultura gaúcha em suas criações. No entanto, ele ressalta que o mercado da dança no Sul apresenta desafios específicos.

"É mais difícil ser contratado para workshops por conta do alto custo de deslocamento. Hoje, com a internet, a visibilidade pode ser semelhante, mas os tipos de trabalho são bem diferentes."

Ele admite que já considerou mudar-se para São Paulo ou Rio de Janeiro, acreditando que esses grandes centros eram essenciais para o sucesso.

"Já pensei nisso! Em certo momento, acreditei que só teria ‘sucesso’ se fosse para RJ ou SP. Mas percebi que, para mim, não valeria a pena financeiramente nem emocionalmente. Não nasci para passar duas horas no trânsito."

Após a pandemia, Jean notou um aumento nas políticas de incentivo à cultura. "O fomento aumentou consideravelmente. Ainda não é o ideal, mas houve avanços. Acredito que falta apoio da iniciativa privada, especialmente no entendimento da Lei Rouanet."

Redes Sociais, Visibilidade e Futuro

Nas redes sociais, especialmente no TikTok, Jean acumulou milhares de seguidores.

"Não consumo o TikTok; apenas posto lá. A plataforma dá voz tanto a artistas talentosos quanto à mediocridade."

Apesar do sucesso, ele percebeu o risco de perder sua essência. "Alcancei 60 mil seguidores ao fazer aulas com músicas comerciais, mas percebi que estava me distanciando da minha essência. Hoje, escolho o que realmente gosto."

Quanto ao futuro, Jean deseja ver o reconhecimento mundial dos bailarinos brasileiros e sonha em inspirar outros artistas a viver da dança com dignidade. "Temos muito talento. Espero ver cada vez mais profissionais da dança vivendo dignamente."

Para ele, o principal conselho para quem deseja viver da dança é não se deixar abalar pelo julgamento alheio.

"Em qualquer área, sempre haverá pessoas para julgar. Não deixe que o julgamento dos outros vença sua vontade de ser feliz."
— Jean Mendes

Acompanhe Jean Mendes nas Redes Sociais:

@eu.jeanmendes no Instagram

@eujeanmendes no TikTok

 

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